MALBA, a casa de um brasileiro ilustre

     Todos nós temos nossos “favoritos”: a cor preferida, a música preferida, o lugar preferido, a comida preferida, e… o quadro preferido. Não, o meu não é a Monalisa, nem nenhum Van Gogh, Picasso ou Modigliani , o meu quadro favorito, por alguma razão, sempre foi o brasileiríssimo Abaporu, de Tarsila do Amaral.

     Numa aula de francês, onde o tema naquele dia era o Louvre, a professora queria saber qual era a obra preferida de cada um. “Je suis desoleé…”, mas tive que explicar (em francês) porque prefiro o Abaporu a qualquer Monet! Na verdade eu tentei, porque não sei ao certo… talvez as cores, o significado, o contexto em que ele foi pintado…

     Abaporu em tupi guarani significa “homem que come gente” que fazia referência ao Movimento Antropofágico modernista, que propunha “a deglutição da cultura estrangeira  transformando-a numa cultura moderna adaptada a realidade brasileira”.  A pintura em si mostra uma pessoa com cabeça pequena e pés e mãos grandes, retratando uma época em que o trabalho braçal se sobrepunha ao intelecto. A tela foi pintada em 1928 e oferecida ao seu então marido, Oswald de Andrade.

     Curiosamente, o quadro brasileiro mais valioso pertence a um argentino, que o comprou em 1995 e o mantém exposto em seu museu, o MALBA, lá em Buenos Aires. E como eu estava por alí mesmo, eu não poderia deixar de conhecê-lo.

     De fato, ver o Abaporu de perto já estava em meus planos, e eu estava sentindo como se fosse conhecer alguém muito famoso. Andamos bastante até chegar no MALBA, e a primeira coisa que fiz quando chegamos foi perguntar se “ele estava em casa”. Sim, porque as vezes o quadro vai para alguma exposição fora (como esteve aqui em 2011, numa exposição no Palácio do Planalto) e sinceramente, eu ficaria bem frustrada. Mas para “noooooosssaaa alegriaaaa” ele estava lá.

     Ansiosamente, fomos direto para a sala em que está exposto, e ao entrar a visão para mim foi impactante. Lá estava ele, o Abaporu! Um óleo sobre tela lindíssimo, perfeito. Fiquei admirando aquele quadro com olhos brilhantes, entusiasmada, fascinada, observando cada pincelada, cada detalhe, as cores, as linhas, a assinatura… Estava feliz!

Tietagem total

Tietagem total

    O Abaporu está cercado de vizinhos também ilustres. Bem ao lado tem um Diego Rivera, um pouco mais a frente o inconfundível Auto Retrato de Frida Kahlo. Em outras salas tem Portinari, Di Cavalcanti, esculturas de Lygia Clark, uma tela lindíssima de Fernando Botero, um colombiano cujo estilo me agrada muito e muitos outros nomes menos conhecidos por mim mas grandes dentro do cenário artístico da América Latina.

Frida Kahlo por ela mesmo

Fernando Botero

  O MALBA é um museu compacto, moderno, muito agradável, que vale muito a pena incluir num roteiro em Buenos Aires, mas  naquele momento, eu queria mesmo era conhecer um único quadro, e infelizmente  não pude explorar mais toda aquela riqueza cultural. Fica pra próxima!

PS – Ele é maior que a Monalisa! rsrsrs

 

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