Parrilla La Cabrera

   “Uno de los mejores secretos guardados en Palermo”

Tantos lugares bons para comer em BsAs que fica difícil escolher um só… por refeição.

   Estando na região de Palermo, fomos no super bem recomendado La Cabrera, e por nossa vez, o recomendamos também!

   Em todo lugar que eu lia, recomendava-se fazer reserva antecipada para evitar longas esperas, apesar de todos que já foram, elogiaram muito inclusive a própria espera, onde é servida champanhe como um pequeno mimo. Como chegamos um pouco tarde, por volta das 15 horas, não esperamos quase nada. Na verdade, são dois restaurantes, um de cada lado da rua. No primeiro que paramos, não havia lugares, já no segundo tinha uma mesa vagando. Sorte nossa que estávamos morrendo de fome.

   O lugar é uma graça, aconchegante, bem único. Nas paredes haviam inúmeros pratos brancos pendurados, e cada um deles tinha uma mensagem escrita por clientes.

La Cabrera

La Cabrera

    Exatamente pela fome, não ficamos escolhendo muito no menu, e pedimos logo o clássico bife de chorizo, um pra cada, pois achávamos que um seria pouco para os dois. E a fome também nos levou a pedir um “empanadinha” de entrada. E aí começou a tortura… a empanadinha estava deliciosa, a mais gostosa que já comi na Argentina, e por isso já senti um pouco de “culpa” em tê-la comido inteira, porque não era tão pequena como imaginei. Logo em seguida ao pedido o que foi servido? O couvert de pães, uma cestinha com vários tipos acompanhados de manteiga e outros antepastos… como resistir! Mas não sei o que mais me chocou: se foi o tamanho do bifinho ou os acompanhamentos que vieram com ele!

A fartura

A fartura

    Veio muita coisa, e tudo em dobro.  São mini acompanhamentos que vêm em tigelinhas, cada um mais gostoso do que outro: mini milhos, purê de batatas e de abóbora, creme de queijo gratinado, coisas que não soube identificar mas que eram todas magníficas!

    Eles tem uma sobremesa maravilhosa chamada Volcan de chocolate, pelo menos dizem que é porque qualquer coisa a mais faria EU explodir como um vulcão!

La Cabrera

Só para adoçar o bico

Mas sobrou um espaçinho para um pirulitinho de presente!

Parrilla La Cabrera – José Antonio Cabrera, 5099, Palermo Soho

http://www.parrillalacabrera.com.ar

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O Jardim Japonês

    Que Buenos Aires tem infinitos parques e praças todos sabem, e de todos que eu conheço o Jardim Japonês é o mais lindo.

   Fica na Av. Figueroa Alcorta com Av. Casares, já em Palermo. É a segunda vez que visito esse belíssimo parque, e percebi que talvez não seja a última. É um daqueles lugares que vale a pena ir várias vezes, andar, admirar, sentar em um banquinho e pensar na vida ou simplesmente não pensar em nada. É um lugar muito relaxante e interessante.

Jardim Japonês

Jardim Japonês

   Além do parque em si, é um centro cultural com exposições de flores, atividades, aulas de origami entre outras coisas. O lugar é impecável, por isso vale a pena pagar a entrada.

Jardim Japonês

Jardim Japonês

    Tem um lago com carpas enormes. Da primeira vez que fui, podia-se comprar ração e alimentá-las, mas dessa vez não vi ninguém fazendo isso, portanto não sei se ainda é permitido.

Jardim Japonês

Jardim Japonês

Jardim Japonês

Jardim Japonês

No site tem muito mais informações: www.jardinjapones.org.ar

MALBA, a casa de um brasileiro ilustre

     Todos nós temos nossos “favoritos”: a cor preferida, a música preferida, o lugar preferido, a comida preferida, e… o quadro preferido. Não, o meu não é a Monalisa, nem nenhum Van Gogh, Picasso ou Modigliani , o meu quadro favorito, por alguma razão, sempre foi o brasileiríssimo Abaporu, de Tarsila do Amaral.

     Numa aula de francês, onde o tema naquele dia era o Louvre, a professora queria saber qual era a obra preferida de cada um. “Je suis desoleé…”, mas tive que explicar (em francês) porque prefiro o Abaporu a qualquer Monet! Na verdade eu tentei, porque não sei ao certo… talvez as cores, o significado, o contexto em que ele foi pintado…

     Abaporu em tupi guarani significa “homem que come gente” que fazia referência ao Movimento Antropofágico modernista, que propunha “a deglutição da cultura estrangeira  transformando-a numa cultura moderna adaptada a realidade brasileira”.  A pintura em si mostra uma pessoa com cabeça pequena e pés e mãos grandes, retratando uma época em que o trabalho braçal se sobrepunha ao intelecto. A tela foi pintada em 1928 e oferecida ao seu então marido, Oswald de Andrade.

     Curiosamente, o quadro brasileiro mais valioso pertence a um argentino, que o comprou em 1995 e o mantém exposto em seu museu, o MALBA, lá em Buenos Aires. E como eu estava por alí mesmo, eu não poderia deixar de conhecê-lo.

     De fato, ver o Abaporu de perto já estava em meus planos, e eu estava sentindo como se fosse conhecer alguém muito famoso. Andamos bastante até chegar no MALBA, e a primeira coisa que fiz quando chegamos foi perguntar se “ele estava em casa”. Sim, porque as vezes o quadro vai para alguma exposição fora (como esteve aqui em 2011, numa exposição no Palácio do Planalto) e sinceramente, eu ficaria bem frustrada. Mas para “noooooosssaaa alegriaaaa” ele estava lá.

     Ansiosamente, fomos direto para a sala em que está exposto, e ao entrar a visão para mim foi impactante. Lá estava ele, o Abaporu! Um óleo sobre tela lindíssimo, perfeito. Fiquei admirando aquele quadro com olhos brilhantes, entusiasmada, fascinada, observando cada pincelada, cada detalhe, as cores, as linhas, a assinatura… Estava feliz!

Tietagem total

Tietagem total

    O Abaporu está cercado de vizinhos também ilustres. Bem ao lado tem um Diego Rivera, um pouco mais a frente o inconfundível Auto Retrato de Frida Kahlo. Em outras salas tem Portinari, Di Cavalcanti, esculturas de Lygia Clark, uma tela lindíssima de Fernando Botero, um colombiano cujo estilo me agrada muito e muitos outros nomes menos conhecidos por mim mas grandes dentro do cenário artístico da América Latina.

Frida Kahlo por ela mesmo

Fernando Botero

  O MALBA é um museu compacto, moderno, muito agradável, que vale muito a pena incluir num roteiro em Buenos Aires, mas  naquele momento, eu queria mesmo era conhecer um único quadro, e infelizmente  não pude explorar mais toda aquela riqueza cultural. Fica pra próxima!

PS – Ele é maior que a Monalisa! rsrsrs

 

O elegante Cemitério da Recoleta

     Para quem não conhece ou nunca ouviu falar, soa no mínimo esquisito visitar um cemitério que é um dos principais pontos turísticos da capital Argentina.

     E o que tem lá que o torna tão especial?

     O Cemitério da Recoleta é considerado um museu a céu aberto. Foi projetado por um arquiteto francês no século XIX e lá estão sepultados grandes personalidades argentinas: figuras históricas, políticos, artistas, cientistas, esportistas… inclusive dois prêmios Nobel estão lá (até a Argentina tem!), e seu morador ou melhor, sua moradora mais famosa (ao menos para os não argentinos) é Evita Perón.

     A aristocracia argentina gostava de ostentar sua riqueza nos túmulos, por isso muitos deles são considerados verdadeiras obras de arte. O que pra nós, torna-se uma pequena surpresa quando encontramos o túmulo da Evita. Acredito que assim como eu, muitos  a tem como um grande nome da história argentina, conhecida mundialmente, exaltada e interpretada por ninguém menos que Madonna; foi adorada pelo seu povo… descansa num dos túmulos mais simplórios escondidinho num corredor apertado, que só é identificado por ser um dos únicos que tem sempre flores novas e um grande número de pessoas que se espremem para conseguir tirar uma fotinho.

Túmulo Família Duarte – Evita Perón

    Na verdade, Evita é adorada por muitos e odiada por tantos outros. Evita morreu de câncer em 1952, e seu marido Péron mandou embalsamar seu corpo que ficou em um outro local. Após alguns anos, Perón foi derrubado do governo e exilado. O corpo de Evita foi sequestrado e “sumiu” por um tempo. Quando Perón retornou, conseguiu recuperar o corpo de sua mulher, mas faleceu logo em seguida.

     Os dois foram sepultados na residência oficial do governo. No período que ficaram lá, o país foi governado pela terceira esposa de Péron, Isabelita, que odiava e invejava Evita. Ela tinha como braço direito um ministro que também era astrólogo, um bruxo (el Brujo, como era chamado), que fazia Isabelita deitar sobre o caixão de Evita para “receber as energias” dela e quem sabe conseguir o carisma que tinha junto ao povão (cada uma…rsrsrsrs). Depois de um golpe militar, acabou a bruxaria. Perón foi para um outro lugar e Evita foi para a Recoleta, no túmulo de sua família. Portanto, lá deve-se procurar o túmulo da Família Duarte, onde está seu membro ilustre: Eva DUARTE de Perón.

    Dizem que bem próximo está sepultado seu maior inimigo, um general que sequestrou seu corpo depois que Perón caiu. Hoje são vizinhos! Tem tanta curiosidade lá… esse mesmo general teve também seu corpo sequestrado pela guerrilha, e depois de recuperado, a família construiu um mausoléu e o enterrou sob ele, para evitar vandalismo.

     Um outro túmulo interessante – mas não vi – é o de uma jovem que foi passar a lua de mel na Áustria, e o hotel em que estava foi atingido por uma avalanche. A própria mãe projetou a tumba, que tem uma estátua dela, em tamanho natural, usando o vestido de noiva e ao seu lado, seu cachorro que tanto adorava.

     E claro, tem as histórias de arrepiar também… uma moça que morreu repentinamente, acho que de infarto, foi enterrada às pressas para aliviar a dor da família. Um tempo depois a família verificou que o caixão estava remexido. Pensaram que podia se tratar de ladrões querendo roubar as jóias. Quando abriram, viram que ela estava em outra posição e haviam arranhões na tampa. Ela foi enterrada viva!! A pobre sofria de catalepsia! Daí veio a lenda que ela vaga pelo cemitério vestida de branco, é la dama de blanco…uuuuiiiiiii

Recoleta

     Esse lance do caixão é outra particularidade da Recoleta. Lá eles ficam dentro dos mausoléus porém, sobre a terra. Quando a gente passa e olha pelas janelinhas, dá pra ver os caixões velhos lá dentro!

     Como eu gosto muito de histórias interessantes, lá pra mim é um prato cheio. Gostaria muito de voltar lá e fazer um tour guiado, para saber de muitas outras e ver os túmulos que não vi ou não soube identificar.

     Mais uma razão para voltar à Buenos Aires!

Um amanhecer para chamar de meu

     A diferença já começou pela localização do hotel, longe do comum. O (muito bem) escolhido foi o Buenos Aires Grand Hotel, na Recoleta.

    O hotel fica na Av. Gal. Las Heras quase esquina com Callao (Las Heras y Callao como costumávamos orientar os taxistas) e de lá andamos muito, para todos o lados.

      O hotel em si é maravilhoso, novinho, vizinhança tranquila, sem barulho, quarto super confortável, temperatura sempre agradável, perfeito. Lá o que mais gostei foi  uma cortina automática de duas camadas: uma persiana colada à enorme janela e uma outra camada formada por uma folha única preta, que quando fechada não permitia a entrada de um único feixe de luz, perfeito pra dormir. E graças a essa cortina, tínhamos um amanhecer para chamar de nosso. No momento mais conveniente, um simples toque no botão, dava permissão ao sol para entrar lentamente no quarto, uma alvorada particular!

A foto não foi tirada por mim, mas o quarto é exatamente assim

A foto não foi tirada por mim, mas o quarto é exatamente assim

      Depois de sair da cama, ia até a janela, abria e ficava alguns minutos olhando as poucas pessoas que passavam pela rua, queria ver como estavam vestidas para ter noção do clima. Via pessoas de idade caminhando, corredores de rua com seus fones de ouvidos alheios a tudo, “homens de negócio”, os passeadores com seus cães… E logo estaríamos nos juntando a eles, seríamos um deles: vestidos com a mesma quantidade de roupas mas com nenhum cachorro, apenas uma mochila e nosso mapa.

     Ficar na Recoleta é quase que ficar em outra Buenos Aires. Que lugar agradável! Alguns poderiam dizer que é um bairro “meio longe”. Bom, depende do referencial. A intenção era fugir do óbvio, como já dito, e o óbvio seria o centro/microcentro que fica “pertinho de tudo”. De fato, mas também fica perto da aglomeração turística e do próprio vai e vem argentino, afinal como em qualquer outra metrópole, existe aquela selvageria urbana que estamos bem acostumados.

     Na Recoleta é diferente. Bairro charmoso, nobre,  com barracas que explodem de tantas flores, gente diversificada, educada,  as ruas largas, além dos passeadores várias pessoas passeando com seus cães e as calçadas sempre limpas, prédios de  arquitetura linda. Você anda observando cada um deles, analisando a decoração externa dos apartamentos,  e diante de tantas placas de aluga-se e vende-se dá para delirar um pouquinho escolhendo qual deles gostaríamos de adquirir.

Recoleta

      Depois de alguns dias, já estávamos nos sentindo moradores… a “pharmacia” na esquina, um Carrefour Express a dois quarteirões, as duas melhores sorveterias (Freddo e Persicco) ali bem pertinho…  lá na  Av. Santa Fe com a Callao o metrô, ou melhor, o Subte. E no sentido oposto, seguindo pela Callao a elegantérrima Av. Alvear. Andar pela Recoleta era obrigação prazerosa!

Buenos Aires – um pouco fora do óbvio

Buenos Aires me parece ser aquele tipo de lugar que quanto mais se conhece mais se gosta…

Quando estive lá pela primeira vez em 2007, não tive uma boa impressão, mas  eu nunca levei isso muito a sério, tanto que voltei mais duas vezes. Essa minha opinião é totalmente justificável pois quando lá cheguei, além do meu mochilão, carregava estereótipos de uma cultura “anti Argentina” e todo aquele pré conceito que funciona como uma cortina a frente dos olhos, nos impedindo de apreciar as infinitas possibilidades que um lugar pode nos apresentar ou presentear.

Mas eu mudei, graças a Deus! Lá mesmo. Aquela viagem foi um start para um novo modus operandus de viajar!

Obelisco

Em 2007, Buenos Aires foi umas das cidades que conheci entre Chile e Argentina, e lá foi o ponto de partida e também o ponto final. O primeiro contato foi apenas uma conexão, e entre um voo e outro fui conhecer a cidade, de ônibus de linha. Até o centro, não gostei nada do que vi (meio que óbvio). Logo voltei para o aeroporto e da tão falada Buenos Aires, só vi o Obelisco. Sendo a última cidade da viagem, sobrou pouco tempo para apreciar como  ela merecia. E o dia e meio que fiquei, deu apenas para visitar alguns dos pontos turísticos, mas algo tocou em mim.

Um ano depois, voltei. Um retorno também rápido, com finalidade menos turística, mas retornei também aos pontos famosos (agora como guia).

Mas agora foi pra curtir mesmo, sair um pouco do óbvio.

E foi uma das melhores viagens que fiz.

Buenos Aires