“Velha montanha” – A cidade nas nuvens

* em quechua, Machu Picchu quer dizer “velha montanha” (Wikipedia)

30/12/2010

Depois de todo aquele êxtase que tomou conta de mim e  me deixou sem palavras, posso agora contar com mais detalhes como foi esse grande dia.

Assim que chegamos em Águas Calientes, no dia anterior, já havíamos combinado os detalhes com o Pedro, que seria nosso guia em Machu Picchu: deveríamos estar na entrada às 7:45 e nos juntar ao seu grupo que seria identificado por uma bandeira branca.

Para chegar até a entrada de MP, pega-se um micro-ônibus que faz o percurso por uma estradinha bem estreita beirando a montanha. Como chovia muito e havia aquela nevoeiro típico de lugares altos, mal enxergávamos a paisagem lá fora. Nossa visão alcançava apenas a mata que beirava a estrada. De uma certa maneira, não ver muita coisa era até que bom, pois, estrada estreita, chuva e ao lado uma encosta sem proteção alguma, propiciavam uma pequena descarga de adrenalina, principalmente quando vinha em nossa direção outro ônibus fazendo o caminho de volta e estávamos no lado do morro. Podemos dizer que foi uma subida “com emoção”. Mas devo dizer que em nenhum momento houve perigo real, percebe-se que os motoristas são conhecedores de cada metro dessa rota, passando muita segurança para os passageiros. A “emoção” fica por conta da imaginação.

Pontualmente estávamos todos lá, e após as orientações iniciou-se a subida às ruínas. Nesses primeiros momentos, me senti um pouco angustiada com a possibilidade de não conseguir ver a cidade como tanto queria. Acredito que essa angústia tornou ainda mais penosa a subida dos primeiros e infinitos degraus. A neblina era tanta, que do ponto que estávamos já seria possível avistar a cidade, porém eu imaginava que tínhamos que subir muito ainda, pois minha visão se restringia ao lance de escadas seguinte.

Nossa primeira parada foi exatamente no ponto de onde a National Geographic (segundo Pedro, o guia) tirou aquela  “foto clássica”. Foi quando minha angústia começou a se transformar em tristeza, porque tudo parecia que eu não teria a minha “foto clássica”, uma foto que eu vinha imaginando desde o dia que decidimos vir para cá. Já não chovia mais, mas as nuvens ainda escondiam as montanhas e um pouco da cidade, dando a impressão de estar faltando algo naquela imagem. A própria paisagem fazia lembrar uma ruína, que você vê apenas um pedaço e imagina como era o resto. Mas como num sopro divino, a “ruína”  foi inteirada, e Machu Picchu apareceu por completo diante de meus olhos.

 

-> INTIHUATANA – o relógio do sol


Veio uma vontade assaz de ficar parada olhando para a cidadela como se fosse um quadro gigante a minha frente, não parecia ser real. Com a incerteza das nuvens encerrarem precocemente aquele espetáculo, tratei de bater quantas fotos eu pudesse, não para me lembrar do que via, até mesmo porque seria impossível esquecer, mas para quando eu olhar as fotos, possa fechar os olhos e voltar lá e sentir tudo aquilo novamente.

 

Templo do Condor

Templo do Condor

 

-> O templo do condor e a escultura que representa essa ave.

O guia foi percorrendo a cidade e parando em alguns pontos importantes para contar um pouco da história, da cultura e modo de vida dos incas. Esse tour leva aproximadamente 3 horas. Quando então termina e podemos circular livremente entre as ruínas. Infelizmente para o Zé, esse passeio deve ter levado umas 6 horas para acabar. Ele foi traído pelo Floratil, e assim que o Pedro liberou o grupo, ele subiu e desceu escadas em busca do “servicio sanitario” tão rápido como qualquer inca que alí morou. Em questão de segundos, não mais o avistávamos.

Templo das Três Janelas

-> Templo das 3 Janelas – do lado esquerdo dessa pedra central, tem uma pedra esculpida em degraus, é a Cruz Andina (Chakana) ou metade dela. Como lá em Ollantaytambo, no solstício de inverno, o sol entra pela janela, e a sombra dessa pedra, forma sua outra metade.


Nossa intenção era ficar por alí (após reencontrarmos um Zé mais aliviado), porém começou a chover forte  novamente e então resolvemos voltar para Águas Calientes, felizes.

Após o  almoço resolvemos andar um pouco e comprar umas lembrancinhas. Era ainda por volta das 13/14 horas e não tínhamos mais o que fazer. Nosso trem partiria somente às 19:20,  não podíamos voltar para o hotel (e para aquele nem queríamos), o jeito então foi sentar no banco da praça! Mas o cansaço era tanto, que procuramos outro hotel, pagamos uma diária apenas para tomar um banho e repousar até a hora da partida. Foi a melhor coisa que fizemos.

Águas Calientes

A volta também foi tranquila, mas a estação fica em Ollantaytambo, e tínhamos mais umas 2 horas até Cusco. Esse trecho foi feito em uma van que estava nos aguardando lá, e junto veio uma turma de brasilienses. Essa parte da viagem parecia não ter mais fim. Mas chegamos, graças a Deus!! rsrsrs

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