Trem Serra do Mar

É engraçado como andar de trem é sempre uma volta ao passado, e o mais interessante é que algumas partes de Curitiba e suas cidades vizinhas (assim como em tantos outros lugares do Brasil) ainda mantem características do século passado, pelo menos para nós que estamos acostumados com o frenesi das grandes cidades, o barulho dos carros, computadores… Quando eu vejo uma casinha no meio do mato saindo uma fumacinha de chaminé,  penso na delicia que deve ser viver assim e ao mesmo tempo como ainda se vive assim!

Nostalgia a parte, o passeio foi muito bom. O início é meio chato, o trem vai muito devagar. Na verdade devo confessar a falta de paciência, que é facilmente explicada quando se vive ligada no 220. Mas como querer que um passeio de observação, de apreciação da natureza seja rápido? Não dá né. As vezes cheguei a pensar que estava indo rápido até demais.

Escolhi ir pela classe executiva (pelo menos no trem dá), tem um serviço melhor e as janelas são maiores também. Achei muito legal a qualidade do serviço turístico de Curitiba, em especial nesse trem.  A guia passa todas as informações em português, espanhol e inglês (muito bom por sinal) e dá bastante atenção aos estrangeiros (cordialidade insuperável dos brasileiros). Chegando em Morretes pegamos a van que além do motorista tinha 2 guias, pra 8 pessoas. Na van tinha um casal muito simpático de peruanos, mais 2 brasileiras e um casal de holandeses com 2 filhos brasileiros e adotados, mas que já esqueceram suas raizes depois de 8 anos morando lá fora, não falam nada em português.

Mais uma vez vi o quanto minhas aulas de francês estão valendo mesmo, agora pra valer rsrs. O casal de holandeses não falava nem inglês nem espanhol, mas falavam francês e eis que o guia qui s’apelle Pedro Ernesto falava francês também! E quando ele começou a  falar eu entendi um monte de coisa, e no final da viagem eu falei algumas poucas coisas com ele. J’adore!

Aliás, eu o achei muito interessante, divertido e culto. Me indicou livros e cantores franceses.  Ele se diz “do mundo” porque já morou em vários lugares do mundo. Agora comédia foi o outro guia, gay, muito divertido, mas fofoqueiro que só. Meio venenoso também (gay quando resolve ser assim), falava mal de todo mundo… e é um noveleiro de mão cheia. Veio a subida toda conversando sobre novelas com os peruanos, que sabiam tuuudo sobre novelas brasileiras, inclusive o marido. Falaram desde Selva de Pedra, O Bem Amado até a novela do momento TiTiTi, passando até mesmo pelas mexicanas – Jesuiiisss – eles assiste a todas! Mas gostei dele, muito divertido.

De Morretes fomos direto pra Antonina de van, pra almoçar. Comemos todos num restaurante muito bom (que estava no pacote) e provei o famoso Barreado, muito gostoso. Alías, estava tudo delicioso, a salada, os camarões, m lugar muito agradável mesmo.

Restaurante Antonina

Depois Mauricio, o guia, nos levou pra caminhar por lá, debaixo de um calorzão, justo quando eu vim atrás de frio. De Antonina voltamos pra Morretes pra veiarada fazer as “comprinhas” nas lojinhas de artesanato aiai. E então voltamos, mas no meio da serra ainda paramos pra um caldo de cana.

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Curitiba

Não é a primeira vez que venho pra cá. Pra quem não sabe, meu pai morou por aqui durante muitos anos e eu vinha sempre passar as férias com ele.  Na verdade, não bem em Curitiba que ele morava, mas sim em São José dos Pinhais, cidade vizinha, bem ao estilo “cidade do interior”. Lembranças deliciosas da minha infância, brinquei muito, mas muito mesmo nesta terra. Aqui aprendi a andar de bicicleta e tirei muito racha com a meninada da rua, mas também passei a maior vergonha quando de bike correndo atrás da moto do meu pai não vi um buraco e cai de cara no chão (fiquei conhecida como a paulista que arrebentou o nariz), aprendi a nadar nas piscinas do Atlético Paranaense, jogava taco na rua até a completa exaustão, pegava sapo atropelado na rua e jogava nos outros (coisa que aprendi com meu irmão), me divertia com a brincadeiras inventadas pelos “locais”  como uma corrida de tampinhas de garrafas realizada num lindo “tampódromo” que fazíamos na terra, a pista tinha curvas, pontes, rampas e tínhamos nossas regras claro; brincávamos de Indiana Jones escalando valetas na beira das estradas com cordas amarradas nas árvores; jogávamos Atari, banco imobiliário, pulávamos corda, ficávamos até tarde na rua, até que alguma mãe ou pai chamasse pra dormir… enfim tive o que acho que toda criança deveria ter, essa infância de verdade, livre, criativa,  inocente, segura, saudável…

Bom, mas eu conhecia Curitiba assim, com os olhos de uma criança, e agora queria uma nova visão, se bem que, dentro da minha teoria de “o que é viajar” também é como uma criança: curiosidade, novidade, senso exploratório, liberdade, descompromisso… Ver, escutar, saborear, sentir, aprender. Eu mesma já disse, viajar é voltar a ser criança, é aprendizado.

Já falei uma vez da dificuldade com a língua estrangeira, tudo bem que a língua é a mesma, mas e o sotaque,  certas palavras, termos, coisas culturais. É gostoso escutar e eu percebi que também tenho sotaque, paulista meio encaipirado as vezes (quando puxo o R) meio italiano sei lá. É engraçado.

Central Park feelings

Central Park Feelings – não posso evitar…

Só uma rapidinha dessa vez

Resolvi passar esse fim de semana em Curitiba, é logo alí, mas estou no mundo né?!

Estava com saudades de um aeroporto, de avião… mas já tomei um chá logo de cara. Depois de embarcar, recebemos a noticia que o aeroporto de Curitiba está fechado por causa do tempo, e estamos a mais de 50 minutos no solo, que saco!!! Então pra passar o tempo vou de:

#NO QUE ESTOU PENSANDO ENQUANTO AGUARDO…

– sabia que eu deveria ter trazido meu Nintendo DS, tem duas menininhas alí na frente com um, e ainda por cima com o Guitar Hero. Poderíamos  jogar em rede…

– quanta sacola esse povo de vôo nacional traz! Cadê o glamour???

– Adoro You Shook Me All Night Long do ACDC, é gostosa de ouvir e lembro de um amigo. Neste exato momento ouço o “hino” Like a Prayer, com o elenco de Glee, mas queria que fosse a Madonna.

– Acabei de perceber que minhas aulas de francês não foram em vão: na cruzadinha que estou fazendo veio a pergunta: “ESTADO em francês”, não precisei de nem uma letra sequer, respondi de cara. Voilá!

– Vi uma garota com uma bolsa LV igualzinha a minha, só que marron. Será Chinatown ou LV 5th Ave?

– O piloto acabou de dizer que o avião será rebocado para outro lugar para dar a vaga a outro. #liberandoamoita.

– Disse tambem que o aeroporto de Curitiba deverá abrir lá pelas 10. #pragadepai, se fosse de carro já estaria lá.

Ah que bom, enfim o avião vai decolar…

– Orientações de vôo: acabou de me ocorrer que preciso comprar um daqueles saquinhos impermeáveis pra guardar meus gadgets (celular, Ipod, netbook etc), em caso de pouso na água. #oseguromorreudevelho.

No ar…


Ouvindo MJ-Billy Jean, ar condicionado forte, um pouco de sono e fome, pressão na cabeça, ouvido começando a “tampar”, enjoozinhos básicos, tendo a visão-google-earth de São Paulo… AMO MUITO TUDO ISSO!!!!